CESARIA EVORA "SENTIMENTO"

Fotografias de assembléia percebidas por Nkrumah Lawson-Daku no título SENTIMENTO

OS VIDEOS DO CONCERTO “FRANCE INTER”







CONCERTO “FRANCE INTER”

Cesaria Evora será acolhida pela “France Inter” a 30 de Outubro nas suas instalações para um concerto privado. A difusão na rádio terá lugar a 05 de Novembro.

Com o apoio da “France Inter” desde há vários anos, Cesaria Evora lança o seu novo álbum a 26 de Outubro próximo: « Nha Sentimento » (Sony Music).

Em antestreia e a anteceder os seus concertos no “Grand Rex”, a diva dos pés descalços escolheu esta produção no estúdio 105 de “France Inter” para apresentar publicamente o seu álbum aos ouvintes.

Um concerto íntimo e caloroso com as cores da música cabo-verdiana. Um momento único, precedido de uma entrevista da artista, que todos os ouvintes poderão saborear, na quinta-feira 05 de Novembro pelas 21h, no programa « Sur la route » de Laurent Lavige.

Para assistir ao concerto: apresentar-se sexta-feira 30 de Outubro a partir das 17h no “Grand Hall de la Maison de la Radio” (Grande Salão da Casa da Rádio). Entrada livre até ao limite dos lugares disponíveis.

Concerto privado: sexta-feira 30 de Outubro, às 18h | Difusão: quinta-feira 05 de Novembro, das 21h às 23h | Video do concerto: em franceinter.com

CESARIA EM CONCERTO NO “GRAND REX”

Cesaria Evora estará em concerto em Paris, no “Grand Rex” a 09 e 10 de Novembro de 2009. Não falte a este concerto!

Para isso, pode comprar o seu bilhete aqui.

NHA SENTIMENTO

Neste novo álbum, as coladeras sobrepuseram-se às mornas. Realizado por Nando Andrade e produzido por José da Silva, “Nha Sentimento” traz consigo emoções profundas, incapazes de dissipar excertos aparentemente leves, mas muitas vezes sérios, dos seus temas, em que a alegria de viver supera muitas vezes a dor, o arrependimento e o desejo. E quando assim não é, as palavras traduzem um fatalismo ilhéu, que Cesaria toma de imediato como seu, por ter vivido tanto do que canta, à imagem de Vento de Sueste, uma morna que remete para sentimentos dos quais ela nunca se separou.

Zinha é um dos títulos mais arrojados do álbum. Ligeiro, o tema dissipa as emoções fortes, incitando à dança. E como sucede com a maioria dos títulos deste álbum, Cesaria tem ao seu serviço um delicado trabalho de percussão, assinado por Tey Santos. Herdeiro da cena musical caboverdiana dos anos de 50 e 60, este músico aprendeu a tocar com os músicos da sua época, que lhe transmitiram a sua sabedoria. Na sua forma de tocar, encontra-se certa nostalgia desses anos dourados. Como verdadeiro divulgador, perpetua uma forma de tocar em vias de extinção, mas que assenta perfeitamente na voz de Cesaria, a quem já tinha acompanhado no álbum “Mar Azul”, que a revelou ao mundo em 1991. Plena de subtilezas, mas muito presente, a sua forma de tocar é uma das chaves do disco. O produtor e pianista Nando Andrade invoca-o, acentuando assim o sentimento de nostalgia, enquanto o estilo mais moderno do outro percussionista – Miroca Paris – apenas surge com alguma parcimónia. O outro ponto alto deste novo disco é Ligereza, onde voltamos a encontrar o acordeão de Henry Ortiz, gravado em Bogotá. Esta canção possui um encanto imediato, leve como uma brisa de Verão, que traz a esta melodia caboverdiana um toque latino e dá a impressão de que toda a vida conhecemos aquele trecho.

O canto de Cesaria está em total consonância com a produção e os músicos que a acompanham. De facto, ela nunca investiu tanto numa gravação, trabalhando em estreita colaboração com o Nando. No seu melhor nível emocional, recupera a intensidade e a qualidade dos seus melhores anos.

E se, neste álbum, Cesaria privilegia os temas mais arrebatadores, não renuncia, no entanto, ao estilo musical com que construiu a sua reputação. As três mornas do álbum, Vento de Sueste, Sentimento, Mam’Bia E So Mi beneficiam de arranjos de cordas egípcias, assinados por Fathy Salama, que dirige a Grande Orquestra do Cairo. Este confronto natural reforça o facto de a morna ter raízes árabes, através da música árabe-andaluza, segundo afirma o musicólogo Vasco Martins.

Um tema como Mam’Bia E So Mi remete deste modo para os grandes momentos de Oum Kalsoum e de Abdel Halim Afez, pela graça luminosa dos arranjos de cordas. Pontuada de novos acentos, a voz de Cesaria ornamenta-se de outras cores: o azul e o verde de Cabo Verde, que aqui se transformam em tons de púrpura e castanho avermelhado, enquanto a sua elegância vocal vai até ao essencial e acerta sempre em cheio no alvo.


Alegre, Esperança di Mar Azul, surge renovado com temas familiares, uma maior respiração dada pelas percussões e a auréola subtil e melancólica do acordeão de Régis Gizavo. Composto por Teófilo Chantre, Esperança di Mar Azul é um título pleno de esperança, mas também imbuído de uma eloquência sempre viva. “A esperança do mar azul / Leva os que crêem no seu amor”, canta ela aos amantes, rumo aos chuviscos do Atlântico, ao vento e ao sol.

Fiel aos seus hábitos, Cesaria confia no destino, à imagem de Fatalidade, em coros amargo-doces. “Trabalha, luta e canta / Rega a tua vida com o suor da tua alegria / A fatalidade acabará / E o teu dia virá, sim o teu dia …”, canta, como se a sua vida tivesse sido sempre lá, sem nunca olhar para trás. Esta maneira de avançar, olhando a direito à sua frente, quaisquer que sejam os obstáculos, continua a ser uma das suas principais qualidades, não obstante todos os acentos nostálgicos que Cesaria possa colocar no seu canto.

Ao sabor destes catorze temas, assinadas principalmente por Teófilo Chantre e Manuel de Novas, Cesaria celebra uma vez mais o seu país, como no eloquente Verde Cabo di Nha Odjos, um poema de Luis Pastor em parceria com Teófilo Chantre. “Verde Cabo do meu olhar / Mindelo das minhas glórias / Quero morrer no teu verde / E viver nas tuas canções”. Não se poderia imaginar melhor epitáfio para os temas de “Nha Sentimento”.

Cesaria Evora / Nha Sentimento CD Lusafrica 562502 Lançamento: 26 Outubro 2009

CESARIA EVORA

Cesaria Evora iniciou a sua carreira de cantora no Mindelo, na ilha de São Vicente, há mais de quarenta e cinco anos. Ainda mal completara vinte anos já cantava amores desfeitos e o isolamento das ilhas de Cabo Verde, expressando uma maravilhosa melancolia, de que aliás são testemunho os registos da época, reeditados em finais de 2008, com o título “Rádio Mindelo”. Quer se fixe numa saudade com um apelo universal, ou se dissolva, sem alarde, nestas ilhas batidas pelo vento, essa melancolia atlântica continua a ser a marca original de Cesaria Evora.

Interpretando coladeras, canções inebriantes escritas para dançar, ou mornas (o blues caboverdiano), a sua voz prende inexoravelmente quem a ouve. Três anos depois de “Rogamar” a cantora caboverdiana volta com “Nha Sentimento”, um álbum simultaneamente sério e gracioso. Vítima de um acidente vascular cerebral (AVC) em 2008, quando da sua tournée pela Austrália, Cesaria prossegue, apesar de tudo, o seu caminho. Aos 68 anos – nasceu a 27 de Agosto de 1941 – a sua voz está certamente mais distante e um pouco menos flexível que em tempos passados, mas continua bem marcada pelas emoções que lhe deram renome universal, verdadeira Billie Holiday crioula da segunda metade do século XX.